REFLEXÃO FINAL

Na primeira parte do presente portefólio começo por referir a utilidade da unidade curricular, Novas Tecnologias no Ensino das Ciências Sociais parte integrante do Mestrado em Ensino de Economia e Contabilidade, apresentando os objetivos e competências que a mesma visa conferir aos futuros professores em profissionalização.

Não se pretende que o futuro professor adquira apenas competências na área das tecnologias digitais, mas também que através destas produza recursos para a sua prática letiva e principalmente que reflita criticamente sobre a aplicabilidade dos mesmos, com vista a melhorar as suas práticas de ensino. Neste sentido, é essencial que desenvolva competências de autonomia, investigação e cooperação com os colegas de trabalho.

As aulas desta unidade curricular com o Professor Doutor Tomás Patrocínio decorreram neste sentido, com a exposição dos conteúdos pelo professor, análise de textos e reflexões acerca dos mesmos pelos mestrandos, bem como a realização de trabalhos autónomos, cujas apresentações tiveram como objetivo mostrar o trabalho desenvolvido por cada mestrando, a análise crítica do professor com o intuito de nos alertar para eventuais melhorias a realizar e a análise dos colegas, numa partilha de experiências e de conhecimento.

Como referido na introdução e evidenciado no trabalho que apresento, senti necessidade de fazer uma revisão da literatura relativa às temáticas abordadas nas aulas. Nesse sentido, na segunda parte é apresentada uma breve revisão da literatura sobre "Ensinar no Século XXI", como forma de rever conceitos basilares relacionados com o ensino e a mudança que o avanço tecnológico veio introduzir nesta área, da qual faço parte, como futura professora do grupo 430 - Economia e Contabilidade.

Considero este tema pertinente e contextualizado nesta unidade curricular, porque para tirar o máximo proveito da mesma, isto é, usar as potencialidades das novas tecnologias na minha prática letiva, tenho que ter plena consciência do meu papel como professora, de como devo ensinar os alunos a aprender, dos métodos e estratégias pedagógicas mais adequados a cada realidade e da legislação atual.

Neste sentido, o tema "Ensinar no Século XXI" encontra-se subdividido nos seguintes subtemas: novos desafios, competências do professor, passagem do ensino tradicional para o ensino centrado no aluno, avaliação, estratégia nacional de educação para a cidadania/perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória e uma súmula, bem com as referências aos autores consultados.

O professor tem ao seu dispor diversos recursos proporcionados pelas tecnologias digitais e a forma como irá tirar partido desses recursos na sua prática letiva, que tem implicação direta no processo de aprendizagem dos seus alunos, apresenta-se como desafios que terá de enfrentar, isto é, não basta ter uma enorme variedade de recursos, é necessário saber selecioná-los de acordo com a temática que vai abordar, com a maturidade dos alunos e respetivos perfis de aprendizagem, bem como fazer uma planificação que os articule e contextualize com os conteúdos pedagógicos.

O professor perante esta realidade vê aumentadas as competências que tem de reunir, às competências científicas/técnicas (atendendo ao plano curricular) e didáticas/pedagógicas acrescentam-se as competências digitais. Esta nova realidade implica uma atualização não só na área científica e técnica em que atua, mas também uma redefinição de métodos e estratégias de ensino que o uso das novas tecnologias exige.

Também se assiste à passagem do ensino tradicional para o ensino centrado no aluno. Esta mudança de paradigma promove a autonomia do aluno e a construção do seu próprio conhecimento, em detrimento do papel passivo que tinha como recetor de informação. Se o papel do aluno se alterou, também se alterou o papel do professor, passando de transmissor de conceitos para facilitador da construção de conhecimento, pelo aluno, sendo o seu objetivo ensinar a aprender. Nesta sequência, deve dar primazia à avaliação reguladora, isto é, a partir da avaliação formativa redefinir as estratégias necessárias para que o aluno possa utilizar as suas competências metacognitivas. Neste contexto, a avaliação sumativa não deixa de ser aplicada, é antes potenciada pela avaliação reguladora.

Por força do Decreto-Lei nº. 54/2018, o professor deve atender à especificidade de cada aluno implementando a diferenciação pedagógica, quando se justifique.

A Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e o Perfil dos Alunos à saída da Escolaridade Obrigatória, recomendam uma aprendizagem baseada em projetos interdisciplinares, que permitam aos alunos aplicar e interligar conteúdos de diversas disciplinas. Os projetos a desenvolver devem ter em conta a realidade da comunidade escolar e promover a sua participação ativa e responsável, enquanto cidadãos críticos da realidade que os circunda, capazes de refletir e de resolver problemas.

Na terceira parte faço uma breve revisão da literatura sobre as vantagens da utilização da Internet no ensino e as mudanças a implementar para uma utilização consciente. Também apresento a ficha de leitura do primeiro texto que analisámos, em contexto de sala de aula, intitulado "OF COURSE IT'S TRUE; I SAW IT ON THE INTERNET!" Critical Thinking in the Internet Era de Leah Graham e Panagiotis Takis Metaxas, que visou sensibilizar-nos para a falta de sentido crítico que os alunos têm na realização de pesquisas na Internet, pois apesar de fazerem parte da geração digital, perante a quantidade de informação existente não questionam a sua veracidade aceitando como certa a primeira informação que encontram, tornando-se dependentes desta para a obtenção de respostas certas, em tempo real. Nesta situação, o professor deverá orientá-los na pesquisa, alertando-os para as fontes fidedignas e o sensacionalismo existente.

A utilização da Internet favorece e moderniza o processo de ensino-aprendizagem, permitindo ao aluno aceder rapidamente à informação, acompanhada de imagens elucidativas que facilitam a aquisição de conhecimento. Permite utilizar novos recursos, como jogos pedagógicos, teleconferências e espaços virtuais (por exemplo, Facebook,e-learning e b-learning), onde alunos e professores podem interagir, em tempo real, criando e partilhando conhecimento. Também permite criar percursos de aprendizagem personalizados para cada aluno, possibilitando que cada um aprenda ao seu ritmo, reduzindo o insucesso escolar.

No entanto, para que se utilize este poderoso recurso de forma consciente, têm de ser criadas condições para que os alunos possam adquirir competências ao nível da pesquisa, análise e seleção da informação.

A escola, para responder às necessidades do aluno do século XXI, que se pretende crítico, reflexivo e responsável pela sua própria aprendizagem, tem de reformular as práticas didático-pedagógicas, integrando as tecnologias digitais no currículo e ao professor, cabe planificar as suas aulas integrando de forma articulada os recursos tecnológicos a usar com os conteúdos a transmitir, atendendo à especificidade dos seus alunos, ensinando-os a aprender.

A quarta parte apresentada corresponde ao segundo trabalho que o Professor Doutor Tomás Patrocínio nos pediu para realizar, para o qual nos disponibilizou uma lista com vários economistas que deram um contributo relevante para o pensamento económico mundial, da qual cada mestrando escolhia um para investigar a sua vida e obra e apresentá-lo à turma, pelo que adicionei o respetivo PowerPoint.

A minha escolha incidiu sobre Gary Becker, que ganhou o Prémio Nobel em 1992 por ter introduzido o comportamento e interação humana na análise microeconómica, sendo considerado um dos responsáveis pela articulação da economia com as outras ciências sociais. A sua visão económica poderá ser divulgada aos alunos da disciplina de economia, quer nos cursos regulares como nos cursos profissionais, aquando da lecionação da economia no contexto das ciências sociais, fatores que influenciam a produtividade, mercado de trabalho, indicadores de desenvolvimento dos países e os recursos humanos da economia portuguesa na atualidade, no contexto da União Europeia.

Com este trabalho, adquirimos um conhecimento mais aprofundado da vida e obra dos grandes pensadores da economia mundial que, como anteriormente mencionado, nos irá ser útil para lecionarmos a disciplina de economia, para a qual este mestrado nos habilita, entre muitas outras disciplinas na área das ciências económicas e sociais.

No âmbito da unidade curricular em que se integra, a sua apresentação foi direcionada para as novas tecnologias, neste caso o PowerPoint, que nos permitiu conhecer várias formas de estrutura, transição e animação, que esta ferramenta permite criar e aprofundar as nossas competências na criação de apresentações digitais. Após cada apresentação, o professor e os colegas faziam a sua apreciação em relação à apresentação em si e ao conteúdo informativo da mesma, com o objetivo de indicarem os pontos fortes e os pontos a melhorar, numa ótica construtivista do conhecimento. Pois, como futuros professores temos de ter em atenção que as apresentações que produzimos têm de ser interessantes, pertinentes e adequadas aos conteúdos programáticos e especificidade dos alunos.

Na quinta parte faço uma breve revisão da literatura sobre o vídeo enquanto recurso didático, encontrando-se subdividida nos seguintes subtemas: preparação prévia, como deve ser usado para captar o interesse dos alunos, quais os benefícios da sua utilização em contexto educativo, as suas possibilidades de utilização didática, as funções que tem na aprendizagem e as principais etapas para a sua adequada utilização pedagógica.

Também apresento a ficha de leitura do segundo texto que analisámos, em contexto de sala de aula, intitulado "O vídeo na sala de aula" de José Manuel Morán, que visou sensibilizar-nos para a complementaridade de informação que o uso adequado do vídeo proporciona, por ser um meio de transmissão de informação completo, que reúne o visual com o sensorial e as linguagens falada, musical e escrita.

Morán refere que para que os alunos, em processo de aprendizagem, possam beneficiar das suas potencialidades, cabe ao professor planificar corretamente a sua integração com a matéria lecionada ou a lecionar, começando sempre pela visualização de vídeos mais simples e depois dos mais complexos. Dependendo do contexto em que o professor integre este recurso na sua prática letiva, assim pode ser utilizado para: sensibilizar os alunos para uma temática; ilustrar uma determinada realidade; simular uma experiência; expor um conteúdo específico; produzir um documento informativo para os alunos; adaptar ao grupo de alunos, sendo alterado pelo professor nesse sentido; produção pelos próprios alunos; avaliação, visualizar as autoscopias do trabalho realizado; visualizar programas televisivos, filmes e documentários e; integração com outros média, permitindo a interação entre professores e alunos de várias escolas.

O mesmo autor descreve o procedimento a tomar no seu visionamento antes, durante e após a exibição. Assim, antes de mostrar o vídeo aos alunos, o professor deve certificar-se da qualidade do mesmo; quando o vai mostrar, deve prestar apenas informações gerais, para não interferir na interpretação dos alunos; durante a sua exibição, se o professor considerar necessário, deve parar a visualização e fazer os comentários que considere pertinentes, bem como observar as reações dos alunos; após a exibição, atendendo à complexidade do vídeo, pode ser útil exibi-lo uma segunda vez para esclarecer os alunos em relação a determinados aspetos, sendo conveniente para qualquer vídeo rever as partes mais importantes.

Relativamente ao cuidado que o professor deve ter antes de mostrar o vídeo aos alunos, isto é, a preparação prévia do vídeo, que não pode ser descurada sob pena de conter alguma incorreção que não deve ser transmitida aos alunos, Moreira (2012) refere que o professor deve experimentar, avaliar e voltar a experimentar, numa reflexão constante que lhe permita usar eficientemente estes recursos em contexto de aprendizagem, otimizando assim a sua utilização didática e pedagógica.

Moreira (2012) também se refere ao procedimento a tomar antes, durante e após a exibição do vídeo, o qual designa por principais etapas para a sua adequada utilização pedagógica. Apresenta essas etapas de acordo com os documentos orientadores do National Teacher Training Institute e do KQED Education, que identificam três etapas a percorrer, com tarefas específicas: primeira etapa - antes da visualização do vídeo, para além do professor verificar se o vídeo é adequado ao contexto em que vai ser inserido, deve fazer a respetiva planificação, elaborar um guião/grelha de observação, preparar as atividades a realizar depois da visualização, bem como incentivar os alunos a colocarem questões, comunicar-lhes os objetivos com clareza e analisar o tema/palavras-chave; segunda etapa - durante a visualização, entrega do guião, contextualização dos objetivos de aprendizagem através de pequenos excertos do vídeo, fazer pausas nos momentos mais elucidativos que permitam a reflexão pela ligação da informação com os conteúdos em análise; terceira etapa - após a visualização, debate acerca da informação visionada, síntese das aprendizagens realizadas e integração das mesmas no tema em estudo.

Morán apresenta várias hipóteses de dinâmicas de análise que estão relacionadas com o contexto de utilização do vídeo. Assim, consoante o grau de profundidade da análise que o professor pretende que os alunos façam, pode optar por pedir: uma leitura em conjunto, globalizante, concentrada, funcional ou da linguagem. Estas dinâmicas vão da análise mais simples para a mais complexa e apelam à capacidade crítica dos alunos, através da interpretação e da reflexão que fazem acerca do que veem. Se o objetivo for apelar também à criatividade dos alunos, o professor pode optar por pedir para: completarem o vídeo, que é exibido até um certo ponto; modificarem o vídeo, por forma a corresponder à sua realidade e sensibilidade; produzirem um vídeo, para no final se verificar se conseguiram mostrar as suas intenções.

O autor também refere que o uso inadequado do vídeo, isto é, usar um vídeo sem ser contextualizado e/ou que não está relacionado com a matéria, sem recorrer à discussão, ou usá-lo de forma recorrente em detrimento de outras dinâmicas mais pertinentes, é prejudicial para a aprendizagem dos alunos, porque percecionam que a aula não foi útil, isto é, na linguagem que por vezes usam "naquela aula não fizemos nada!".

Em relação ao uso do vídeo para captar o interesse dos alunos, Moreira (2012) defende que este dependerá do grau com que estes compreendam a matéria e a complementem com a informação recebida, através da visualização do vídeo. Para que o professor promova este interesse, terá de contextualizá-lo de forma útil e pertinente com a matéria. Aponta como benefícios da utilização do vídeo a possibilidade de personalização e reutilização em diferentes contextos educativos e o estímulo que exerce nos alunos, por lhes mostrar situações próximas da realidade e a sua aplicação prática.

Quanto às suas possibilidades de utilização didática, Moreira (2012) cita Férres que apresenta seis possibilidades de utilização deste recurso pedagógico, a saber: vídeo-lição, quando é pertinente o recurso a áudio/visualizações, reforçar a explicação prévia do professor, avaliar e pesquisar; programa motivador, quando se pretende promover o debate, a pesquisa e a criatividade na realização de trabalhos; vídeo-apoio, quando o professor interage com o vídeo para promover o dinamismo e por conseguinte aprendizagens significativas; vídeo-processo, quando os alunos participam na produção do vídeo responsabilizando-se pela sua própria aprendizagem, sendo o trabalho desenvolvido analisado e discutido em grupo; vídeo-conceito, quando o vídeo é exibido para transmitir um conceito que serve de base para realização de um trabalho e; vídeo-interativo, quando o vídeo é apresentado de forma dinâmica permitindo a interação alunos e/ou professor, sendo adaptável a cada estilo de aprendizagem.

No que concerne às funções do vídeo na aprendizagem, Moreira (2012) faz alusão às quatro principais funções investigadas por Moran (1995), Ferrés (1988), Cebrian (1987), Martinez (1991), Salinas (1992) e Almenara (2007). Neste contexto, o vídeo pode ser usado como: transmissor de informação, se for usado para a transmissão dos conteúdos curriculares, apresentando a versatilidade de permitir selecionar a informação mais pertinente para satisfazer as necessidades específicas dos alunos; instrumento motivador, se for usado para motivar os alunos, captando a sua atenção para determinado conteúdo, fomentando a reflexão e aprendizagens significativas; instrumento de avaliação, filmagens do trabalho desenvolvido pelos alunos, com o intuito de através do seu visionamento se identificar aspetos a melhorar e; forma de expressão, filmagens dos trabalhos artísticos realizados pelos alunos, com o intuito de através do seu visionamento estimular o sentido crítico e a criatividade.

No âmbito desta temática, foi-nos proposto a escolha de um ou dois vídeos, com o intuito de serem aplicados na nossa prática supervisionada, bem como o respetivo guião de exploração. O Professor Doutor Tomás Patrocínio alertou-nos que na escolha do vídeo tínhamos de atender à duração do mesmo, que não deveria de ser superior a cinco minutos, sendo o tempo ideal até três minutos, porque os vídeos mais longos não prendem a atenção dos alunos. O vídeo deve ter uma boa dicção, com uma linguagem acessível aos alunos a que se destina e as imagens devem ser elucidativas do tema. Para além destes aspetos, e como referido anteriormente, deve ser previamente planificada a sua utilização, com uma estratégia de aplicação bem definida e adequada a cada situação de aprendizagem.

Selecionei dois vídeos, que foram retirados da PORDATA, um relativo ao Produto Interno Bruto e o outro ao índice de Preços no Consumidor. Para cada um apresento o conteúdo a abordar, o contexto de aplicação, os objetivos a apreender com o vídeo, a duração da tarefa e o respetivo guião de exploração. O primeiro foi apresentado em aula, pelo que adicionei o respetivo PowerPoint, e aplicado na unidade curricular de Iniciação à Prática Profissional III.

No âmbito da unidade curricular em que se integra, mais uma vez a sua apresentação foi direcionada para as novas tecnologias, neste caso o PowerPoint com hiperligação para o vídeo selecionado, que nos permitiu conhecer vários vídeos pertinentes para vários contextos de aplicação. Após cada apresentação, o professor e os colegas faziam a sua apreciação em relação à pertinência da aplicação do vídeo no contexto apresentado, com o objetivo de indicarem os pontos fortes e os pontos a melhorar, numa ótica construtivista do conhecimento. Pois, como futuros professores temos de ter em atenção que não podemos exibir um vídeo sem estar contextualizado com o perfil dos alunos e com a matéria a lecionar/lecionada. Também temos de ter presente que não nos devemos limitar a um único recurso pedagógico, mas sim diversificá-los na nossa prática letiva, de acordo com a especificidade dos alunos, do tema a abordar e também das condições da escola onde iremos lecionar.

A sexta parte do presente trabalho consiste na reflexão aqui apresentada, que me permitiu aprender e vivenciar experiências enriquecedoras para a minha prática letiva futura. Tudo isto não seria possível sem o contributo do Professor Doutor Tomás Patrocínio e dos colegas deste mestrado, pelo que a todos agradeço os momentos que partilhámos. 

Portefólio Reflexivo
Todos os direitos reservados 2019
Desenvolvido por Webnode
Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora